Na verdade, as coisas estão é no tempo, e o tempo está dentro de nós. A essência das coisas em certa manhã de abril, no ano de 1910, ou em determinada noite primaveril, doce, inesquecível noite, fugiu nas asas do tempo e só devemos buscá-la na duração do nosso espírito. (O amanuense Belmiro, Ritornelo, Cyro dos Anjos)
domingo, 6 de dezembro de 2009
Queria escrever algo diferente.
No entanto, as palavras são sempre as mesmas.
A língua me impede.
Ela é impedimento.
Com suas regras.
Leis.
Exceções.
Modos e formas.
A língua, uma convenção.
Impede a unicidade.
Sempre preocupada com a alteridade.
Ela quer, deseja fazer-se entender.
Diferença é escândalo.
Me dobro na dobra.
Quero me esconder.
No excepcional.
No complexo.
A língua.
Agora ferve pela boca.
Ela deseja falar.
Para escapar da dura e fixa escrita.
sábado, 5 de dezembro de 2009
TeMpO
Teus olhos.
Na partida.
Já me diziam que o teu silêncio chegaria.
Estações do tempo.
Veneno da vida.
Teus olhos.
Na chegada.
Disseram-me.
Que o sol brilhou.
Que o mundo girou.
Mas não, nunca, me diga...
Que o amor acabou.