sábado, 13 de dezembro de 2008

Voltas

Existem momentos, nos quais é preciso refazer os caminhos...
Para rever cores esquecidas ou encontrar outras ainda não vistas...
Existem momentos, nos quais é preciso refazer os caminhos...
Para sentir e experimentar o que já foi sentido e experimentado, mas também para encontrar o que ainda não foi sentido nem experimentado...
Existem momentos, nos quais é preciso refazer os caminhos...
Para descobrir mistérios, refazer planos, reconduzir sonhos, buscar forças perdidas...
E depois?
Depois é o futuro...

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Hoje Preciso Falar de Amor

Hoje preciso falar de amor, mais de um tipo que o mundo atual não entende mais. Hoje a maioria das relações funcionam no ritmo do comércio; você leva mas tem que pagar, é uma troca, porém com duplicatas assinadas e tudo bem registrado, porque se o final não for o esperado entra em ação a cobrança, e aí aparece toda a verdade. Neste caso nunca houve amor !
1º - O amor verdadeiro não pede vínculos nem tão pouco aprisiona por compromissos firmados em instituições. Pelo contrário, ele liberta, justamente porque só consegue ser amor na minha liberdade e na do outro, ele não precisa se preocupar com o fim porque sabe que o final para seres livres só pode ser a felicidade do encontro.
2º - O amor verdadeiro não é troca e sim uma comunhão, que no final não cobra nada pelo que entregou; experimenta a suprema felicidade quando vê a alegria surgir no outro como fonte de água fresca, e mesmo que triste pela distância está feliz com o novo do outro.
3º - O amor verdadeiro não registra-se em papéis e cartórios; ele escreve diretamente no coração, lá onde mora o nosso segredo mais bem guardado, lá onde os nossos sonhos sobem os picos e vencem os desfiladeiros. O amor é a nossa verdade, é a nossa natureza inicial e final. Fomos feitos para amar !
4º - O amor verdadeiro funciona no ritmo do “dar a vida pelo outro”, e é isto que nos torna livres; não ter nada, mas ter tudo. O segredo mais bem guardado, a margarida mais bonita, a melodia mais profunda; eu não me pertenço, entrego-me, e mesmo que morra, planto no coração do mundo a semente da vida e da esperança.
5º - O amor verdadeiro ama o OUTRO, diferente de nós que insistimos em amar a nossa IMAGEM do OUTRO. É como um quebra-cabeças onde as peças são diferentes mas percebem-se como parte de um mesmo conjunto, e mais ainda, vêem que é a diferença de cada uma no modo de encaixar, na forma e na cor, que torna o todo belo e completo. Ajuntam-se no prazer de completar-se !
Não escrevi tudo que queria, simplesmente porque é impossível. Só que trago agora em meu ser uma tristeza mortal, que me diz que o mundo virou as costas para o amor. Alguém estes dias me disse que isso é utopia minha, sonho irrealizável. Então morro ! Mas não perco a esperança porque a vida continua vindo, e existe jardins de flores lindas, e existe corações onde a terra é fértil e a semente brota e vira árvore forte que se move para o céu em busca de sonhos e felicidade verdadeira. Escuta ! É a liberdade que vem num galope veloz, e vai nos tomar por completo, envolvendo-nos em pétalas de rosas, curando as feridas, adoçando com mel as amarguras, colocando o azeite mais puro nas angústias. Parece fim, mas é começo. Parece tudo perdido, mas é a vitória que se aproxima ! Liberdade, Amor, Alegria !

domingo, 7 de dezembro de 2008

O menino que tinha medo de tudo

O menino tinha medo de tudo !
Tinha medo de na lagoa pescar, pois tinha medo do rio e do peixe, e dos bichos q moram lá. Tinha medo de correr, pois tinha medo das pedras que o fariam tropeçar.
Tinha medo de olhar para o céu, pois tinha medo do sol o queimar, ou de repente o céu na sua cabeça desabar.
Tinha medo de brincar, pois tinha medo do brinquedo quebrar.
Tinha medo de sorrir, pois tinha medo de logo depois uma tristeza mortal o ferir.
Tinha medo de chupar laranja, comer goiaba, ou banana, pois poderia engasgar.
Tinha medo de nadar, pois o monstro da lagoa poderia vir e o pegar.
Tinha medo de tudo até mesmo de ter medo, e este com certeza era o pior dos seus medos, e era tão grande que quando o sentia não conseguia nem sair do lugar.
Ele se sentia só e abandonado e todos dias, pedia, mesmo que com um medo terrível para ter coragem como os outros meninos. Porque, como bem sabemos criança só tem medo de mãe, e se estiver com um cipó de goiabeira afiado na mão.
Não entendia bem como aquilo tudo havia começado, só sabia que agora o seu coraçãozinho de criança sentia-se triste e fraco. Ficava lá da janela dia após dia (com um medo terrível de algo acontecer) olhando as outras crianças, umas brincando de esconde-esconde, outras de pique-esconde e pega, e pensava sozinho: “como eram corajosas e felizes aquelas crianças, porque também não sou assim, porque será que ñ consigo fazer aquilo que sinto vontade, aquilo que sinto o meu coração de criança pedir....”, e assim passavam os dias.
Era um dia como todos os outros, o sol lá do alto iluminava até os recantos mais escuros, Medão, porque era assim que a criançada da vila o havia apelidado, estava lá na janela como sempre a olhar as outras crianças a brincar. Aquela janela para ele era como que uma parede invisível que o protegia de todos os seus medos do mundo lá de fora.
Porém algo começou acontecer, rapidamente nuvens negras foram tomando conta do céu até então azul, um vento forte e frio começou a soprar, tudo isso acompanhado de uma sinfonia de trovões e como não poderia faltar, de efeitos luminosos que os raios produziam. Rapidamente toda a criançada começou cada um a procurar o rumo de sua casa, correndo dos pingos de chuva, se bem que estava mais para uma tempestade , que começavam a cair. Medão acompanhava todo aquele corre-corre da sua janela, e o pior um medo terrível da tempestade havia apoderado do seu ser e o paralisou completamente, não conseguia mexer um dedo sequer. E a chuva desabou... Medão ali parado, olhando a chuva cair... e não é que de repente um pingo enorme caiu dentro da sua casa, assustado e não sabendo bem como, deu um pulo da janela e caiu no chão, ficando a observar aquele enorme pingo com medo que ele se transformasse em um monstro de água, e não é que para piorar as coisas, o pingo começou a se mexer e foi ganhando forma, primeiro o tronco depois braços e pernas e por último os olhos, boca e nariz. Neste momento Medão já completamente desesperado, soltou um grito apavorado de socorro, o que de nada adiantou pois estava sozinho em casa, e na sequência com mais medo ainda, fechou os olhos, pois pensou: “o que não vejo, não existe, e se não existe não preciso ter medo”, de nada adiantou mesmo de olhos fechados a sua consciência dizia que o pingo estava lá, resolveu então cruzar os braços o mais forte possível para assim se proteger, mais rapidamente se lembrou que pingos eram feitos de água, e para água não tem braço cruzado que proteja de ser molhado, pensou então em parar de respirar para que o pingo pensasse que ele estava morto, porém sentiu um medo enorme de morrer sufocado, desistindo rapidamente da idéia, e a cada minuto que passava o seu desespero aumentava, foi quando escutou uma suave e doce voz que disse:
- Não precisa ter medo de mim, não vou te fazer mal nenhum.
E respondeu rapidamente:
- O que você quer de mim ?
- Nada.
- Então porque veio cair dentro da minha casa ?
- Não foi culpa minha, quando estava caindo meu pai vento soprou mais forte, e por isso vim parar aqui.
- Então saia daqui agora mesmo, não gosto de você.
- Infelizmente não posso um pingo morre aonde cai, esta é a lei. E para minha tristeza caí justamente em cima do cimento, aonde a minha água nunca poderá gerar a vida que trago dentro de mim para a terra fofa lá de fora.
E se é possível um pingo chorar, este chorou de tristeza por não poder dar a vida que trazia dentro de si para a terra sedenta que estava lá fora.
Bem o que aconteceu depois, foi um desses momentos únicos da vida gente, em que mesmo sem saber como, conseguimos vencer os nosso medos e tomamos decisões e o mais importante, executamos estas decisões. Para Medão foi difícil, mais ele, vencendo a si mesmo, pediu:
- Você poderia me contar a história da sua vida ?
- Sou de uma imensa família, minha mãe Nuvem sempre dizia que eu e meus irmãos iríamos levar vida para o mundo aqui embaixo, eu porém não entendia bem o que ela dizia. Ela falava de fazer flores desabrocharem, de fazer o fruto nascer, de se transformar em água para beber, de molhar a terra seca, e sempre dizia que o destino de todos nós era fazer a vida acontecer, era nesta parte que eu mais sofria, porque por fim ela dizia que para isso todos nós devíamos morrer, realmente não conseguia compreender aquilo dar a vida para a vida acontecer, morrer para que outros possam viver. O tempo foi passando de uma minúscula gotícula virei um pingo adulto, até que um dia meu pai o vento anunciou que havia chegado o momento de todos nós nos lançarmos no abismo azul do céu para cumprir o nosso maravilhoso destino de com nossas pequenas vidas gerar mais vida ainda. Mas aconteceu que na hora exata de pular, não consegui, fiquei ali parado vendo o sorriso de alegria no rosto de cada um dos irmãos, e isso se repetiu inúmeras vezes, até que numa bela manhã de céu nublado minha mãe nuvem me chamou para conversar e disse: “meu filho, preciso que você caia na terra, vejo daqui de cima que muitas pessoas estão morrendo de sede, que muitos jardins perderam a beleza de suas flores, e a terra já não consegue fazer a semente brotar, meu filho preciso da sua vida para que todos lá de baixo possam se alegrar com a sua entrega, eu lhe peço perca este teu medo e entrega a tua vida pelos outros”. Suas palavras mexeram comigo, e mais uma vez meu pai vento passou anunciando que o momento de pularmos havia chegado, me preparei, fechei os olhos, respirei fundo e pulei, estava caindo a uma velocidade tremenda, e com mais esforço ainda abri meus olhos e foi aí que vi a mais linda visão da minha vida, as pessoas lá embaixo pulavam de alegria ao ver que caíamos, alguns dançavam e cantavam, a terra se abria para nos receber, as árvores, roseiras e todas as plantas erguiam suas folhas para nos pegar, os rios transbordavam de felicidade, aquela cena me fez entender tudo aquilo que minha mãe sempre dizia, estava feliz só me restava então morrer sentindo a paz de que ter cumprido a minha missão. E foi aí que de repente vim parar aqui.
O sol voltou, o pingo já ia evaporando, triste por não ter cumprido a sua missão quando Medão levantou-se do chão e se pôs a falar:
- Você salvou a minha vida, me fez pensar em coisas que nunca havia imaginado, hoje na medida em que você falava eu descobri o meu maior e único medo que é o de AMAR, AMAR e ENVOLVER, AMAR e CONFIAR, AMAR e ENTREGAR, AMAR e se preciso for dar a vida por este AMOR, você me devolveu a VIDA que havia perdido no meu egoísmo, você ainda não entende, mais pode ficar tranquilo, porque você vai evaporar agora, mais voltar em outras chuvas, cada vez mais bonito, e cada vez trazendo mais vida com você. Você não entende mais para hoje eu também descobri que para se ganhar a VIDA é preciso entregá-la...
O pingo que já estava quase todo evaporado, escutava aquilo com uma imensa felicidade por ter chegado ao seu fim gerando VIDA.
A chuva parou por completo, Medão se dirigiu até a porta da sua casa e com um pulo chegou até a praça onde as crianças brincavam, e gritou com toda a força de seus pulmões: LIBERDADE !
Até hoje se tem notícia do menino que tinha medo de tudo, mais que encontrou um pingo e se tornou o homem mais corajoso até então conhecido.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Presente

De repente veio o presente que ganhei.
Foi em uma noite.
Me lembro bem...
Como iria imaginar, que meu presente iria ganhar...
Sentei só.
Queria a noite.
Estava de noite.
Mas os sonhos, os melhores, só na noite visitam...
Fui visitado.
Invadido, tomado.
Fortaleza vencida.
Por uma flor.
Brinquei com teu perfume.
Diverti-me com tuas cores.
Da noite, da minha noite.
Amanheci sorrindo.
Presente; comigo!
Ah!
Não vivo mais sem minha flor.
Não vivo mais sem teu amor.
Não vivo mais...
Vivo; com você.
Estou.
Sempre.
Meu presente...

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Coração Novo

Um coração novo,
É o que preciso.
Escrito à lápis.
Prá não guardar muitas coisas.
Apagando sempre as doloridas.
Um coração novo.
Feito à lápis.
Prá poder sempre ser refeito.
Ser reescrito.
Ser apagado.
Ser redesenhado.
E assim começar tudo de novo, novamente.
E o meu coração...
Reescrito, apagado, redesenhado.
Amanhecer com o sol.
Chover com a chuva.
Entardecer com as tardes.
Florir com as flores.
Sofrer com os amores.
Sorrir com as dores.
E por fim.
Ser reescrito, apagado, redesenhado.
Assim vou.
Um coração de dia.
Um coração de noite.
Assim quero.
Um coração novo.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Sou Camaleão

Sou camaleão.
Mudo com o ambiente.
Sou solidão.
Me calo no silêncio.
Sou chave.
Abro as trancas.
Sou eu.
Não você.
Nem você sou eu.
Eu ?
Eu sou.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

No Céu

No céu da tua boca.
Estrelas de morango.
Línguas cadentes.
Teus lábios...
Portais...
Do céu da tua boca.

Histórias do Sertão

Rasgou o céu.
Caiu estrelas.
Lua mingou.
Lá na serra, passarim cantou.
Seu Zé puxando o burro na lida do dia sem fim.
Sol nasceu.
Galo também cantou.
Morreu Maria.
Nasceu Tonho.
No sertão é assim seu moço.
Morte e vida.
Céu rasgado.
Sol nascendo.

Chuva

Pingo.
Pingo, pingo.
Pingo, pingo, pingo.
Pingo, pingo, pingo, pingo.
Pingo, pingo, pingo, pingo, pingo.
Pingo, pingo, pingo, pingo, pingo, pingo.
Pingo, pingo, pingo, pingo, pingo, pingo, pingo.
Pingo, pingo, pingo, pingo, pingo, pingo, pingo, pingo.
Chuva.
Sertão ficou bonito.
Sorrindo...

sábado, 29 de novembro de 2008

Pra cá, pra lá

Na medida de um inteiro.
D. Zefa varreu terreiro.
Varreu pra cá, varreu pra lá.
O tempo de um tempo que passou.
Vida inteira no cabo da vassoura.
D. Zefa viu sua vida passar.
Pra cá e pra lá.
Quandos os mininos chegar do outro lado da serra já vou estar, pensou D. Zefa no raio do tempo que insistia em passar.
Dois barulhos, vassoura pra cá, D. Zefa pra lá.
O tempo do ponteiro do relógio parou.
D. Zefa no terreiro estatelou.
E a vida assim foi de mansinho para o outro lado.
D. Zefa virou lembrança.
Pro’s mininos a esperança de que um dia a véia vão encontrar.

Amigos