Um coração novo,
É o que preciso.
Escrito à lápis.
Prá não guardar muitas coisas.
Apagando sempre as doloridas.
Um coração novo.
Feito à lápis.
Prá poder sempre ser refeito.
Ser reescrito.
Ser apagado.
Ser redesenhado.
E assim começar tudo de novo, novamente.
E o meu coração...
Reescrito, apagado, redesenhado.
Amanhecer com o sol.
Chover com a chuva.
Entardecer com as tardes.
Florir com as flores.
Sofrer com os amores.
Sorrir com as dores.
E por fim.
Ser reescrito, apagado, redesenhado.
Assim vou.
Um coração de dia.
Um coração de noite.
Assim quero.
Um coração novo.
Na verdade, as coisas estão é no tempo, e o tempo está dentro de nós. A essência das coisas em certa manhã de abril, no ano de 1910, ou em determinada noite primaveril, doce, inesquecível noite, fugiu nas asas do tempo e só devemos buscá-la na duração do nosso espírito. (O amanuense Belmiro, Ritornelo, Cyro dos Anjos)
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